A corrente de transmissão

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A corrente de transmissão

Mensagem  Filipe Reis em Seg Dez 01, 2014 4:28 pm

A corrente é um componente de desgaste, como tal devemos prestar alguma atenção.
Basicamente os cuidados a ter é mantê-la limpa e ligeiramente lubrificada.

Nas nossas bikes dobráveis, normalmente só com um prato, e um carreto, ou com um carreto e com as mudanças no Hub, ou com um cogset de 6, 7 ou 8, acabam por "poupar" muito a corrente.

Em primeiro lugar a utilização deste tipo de bike é feita fundamentalmente em piso de cidade, portanto muito protegida do pó, areia e da lama, (terrível para a transmissão) em segundo lugar o facto de ter só um prato na pedaleira, mantém a corrente muito próxima da chamada linha de corrente ou seja, e vista de cima a corrente encontra-se em linha recta entre o prato e um dos carretos, normalmente a meio do cogset. Esta posição é a ideal para a corrente. No caso da Hoptown 5 corresponde à 4ª mudança.

No entanto a corrente pela necessidade característica de ter muitas peças móveis, e ter que comutar com todos os carretos,fica mais susceptível ao chamado stress dos materiais, que normalmente são verificadas em duas situações físicas.

O stress em comprimento ou seja, a corrente no desempenho para o qual foi projectada e dada a rotina, tem tendência com o tempo de utilização a esticar.

O stress lateral, por exemplo mais sentida nas bikes de BTT , pela consequência da troca entre pratos e respectivos carretos, por vezes a corrente fica numa situação que chamamos na giria de "corrente cruzada", por vezes chega mesmo a partir, por um pino que esteja já mais fragilizado.

Para complementar estas duas situações contribui negativamente se estiver suja ou com ausência de lubrificante. A longevidade da mesma , assim como das engrenagens, fica precocemente diminuida.

continua...

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Re: A corrente de transmissão

Mensagem  Filipe Reis em Ter Dez 02, 2014 10:33 am

Na transmissão das nossas bikes,o "Elo Mais Fraco" é mesmo a corrente!

Em termos de durabilidade a corrente é o componente com o desgaste mais rápido, a seguir são os carretos e só depois o prato da pedaleira.
Tudo isto faz sentido mecanicamente, no entanto há excepções, no caso das nossas dobráveis os pratos normalmente vão desde os 48 a 52 dentes,mas por exemplo o prato mais pequeno de uma BTT é de 22 dentes e a composição da liga para o tornar mais leve e eficiente acaba por se traduzir numa duração também menor e ao fim de uns 2.000 Km, entrega a alma ao criador.

Faz todo o sentido pontualmente verificar o estado da corrente. Para isso existe no mercado uma peça que nos vai auxiliar na verificação do stress em comprimento, e com duas únicas tolerâncias de aviso. Ou seja, quando a corrente atinge uma dilatação de 0,75% a corrente deve dentro das possibilidades ser substituída o mais rápido possível. A partir de 1% a corrente começa a ter um desempenho desfavorável e com a condição de estar a degradar severamente as rodas dentadas (carretos e pratos).

Quando a corrente chega a este limite, pensamos em comprar uma corrente nova para resolver o problema, mas aí vamos ter uma outra dor de cabeça.
Corrente nova com carretos usados, é coisa que não vai funcionar bem, principalmente em carga, e mesmo que até seja aceitável pois andamos numa de passeio, os carretos encarregam-se de degradar precocemente a corrente nova e dentro em breve voltamos a ter problemas.

A medida aconselhável a tomar, quando a corrente chega ao seu limite de vida útil => 1%, passa obrigatoriamente por adquirir uma corrente nova e os respectivos carretos ( freewheel, cassette) e por vezes mesmo algum prato da pedaleira (situação mais vulgar no BTT).
Assim ficamos com uma transmissão na condição de nova.

Em termos práticos:

Na vertente do BTT , All Moutain (modalidade muito agressiva para a mecânica) uma corrente atinge o seu limite ao fim de 2.000Km mais coisa menos coisa. Quer dizer que, ao fim de tão poucos Km a corrente, carretos e pratos estão aptos para ir para o lixo. É verdade que cumpriram com o seu dever, mas neste caso concreto a vida dos componentes é mesmo muito curta.

Na vertente de estrada a agressividade para a transmissão, práticamente nem se coloca, mesmo com 11 velocidades e com 2 ou mesmo com 3 pratos, seguramente que uma corrente dura para cima de 6.000 a 8.000 Km, se não mesmo mais.(excepto em provas de competição)

Vertente dobráveis. Aqui no caso das nossa dobráveis, em termos práticos, não sei, mas partindo da base do ciclismo de estrada a coisa não deve ser muito diferente, inclusive até muito menos agressivo,se calhar atinge o patamar de 10.000Km.

Existe uma alternativa (a qual já utilizo faz anos e com resultados comprovados) para duplicar ou mesmo triplicar a duração dos carretos e pratos, com um custo inicial de termos que adquirir duas ou três correntes novas, e rodando as mesmas entre a corrente 1, corrente 2, corrente 3, corrente 1, corrente 2, etc... por exemplo de 500 em 500 Km, aproveitando para verificar o desgaste e ao mesmo tempo dar uma lavagem mais profunda na corrente. (isto para quem faz BTT)

Aqui no nosso caso, penso que com uma ou mesmo duas correntes e uma manutenção mais profunda na corrente de 1.000 em 1.000Km é mais que suficiente. Até porque já li aqui no forum que alguém se queixava da pedaleira se ter descravado e sendo assim não se justifica muita preocupação, até porque a pedaleira não permite pratos de substituição.

continua...

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Re: A corrente de transmissão

Mensagem  Filipe Reis em Ter Dez 02, 2014 5:23 pm

Procedimento para fazer a manutenção da corrente.

O ideal é termos a possibilidade de retirar a corrente da bike, para isso é necessário abrir a corrente para coloca-la dentro de uma tina, de preferência numa solução de água e detergente da loiça. Ficar de um dia para o outro "de molho" e na condição de totalmente emersa, isto para evitar o contacto com o ar para que não sofra nenhuma reacção de oxidação.
Nunca utilizar soluções tipo, petróleo, gasóleo pois apesar de deixarem os materiais super desengordurados e brilhantes, acabam por corroer e fragilizar a corrente a médio prazo.
A solução caseira é a melhor, água e detergente da loiça.
Podemos utilizar uma escova já posta de lado tipo das unhas ou dos dentes para retirar alguns detritos mais agarrados à corrente. Passar por água limpa de preferência quente para depois passarmos um pano e deixar secar.
Depois é passar à montagem da corrente na bike, tendo o cuidado de respeitar a sequência nas polias do desviador e fechar a corrente com um link rápido.
Com a corrente completamente seca , passamos à lubrificação, deve ser feita no lado de dentro da corrente (superfície da corrente que está em contacto com os carretos), teoricamente o ideal seria colocar 1/2 gota de óleo em cada link,não mais. (há quem utilize uma seringa,mas para isso é preciso ter paciência de chinês). Rodar a corrente para trás e limpar o excesso de óleo com um pano ou papel da lateral da corrente que está virada para nós, dado que essa lateral não encosta a nenhum carreto.
O facto de mantermos a corrente ligeiramente lubrificada, estamos a proteger a corrente no sitio certo, ou seja nos pontos rotativos (links/ pinos) e evitar que o efeito de captação de poeiras projectadas pelas rodas fiquem agarradas à corrente. Claro que o ideal é depois de cada 2 ou 4 saídas dar uma vista de olhos e se necessário retirar o excesso de sujidade e voltar a repetir a lubrificação.

Complemento visual.





Noções básicas das correntes
especificações dadas pelo fabricante

Medida: o comprimento da corrente é de 1polegada elo a elo (25.4mm)
entre pinos(links) é de 1/2 polegada (12.7mm)
Stress Lateral: dobrando suavemente os lados a corrente não deve ter mais de 2 polegadas de arqueamento lateral em 12 polegadas de comprimento.
Stress comprimento:Em 10 polegadas de corrente, a dilatação não deve ser superior a 0,25%.
Se a corrente não estiver dentro destes parametros,deve ser substituída.

Largura da corrente medida nos pinos
Corrente de 1 velocidade-- 8.6 - 9.4 - 13mm
Corrente de 5 velocidades-- 7.8mm
Corrente de 6 velocidades-- 7.3 - 7.8mm
Corrente de 7 velocidades-- 7.1 - 7.3mm
Corrente de 8 velocidades-- 7.1 - 7.2mm
Corrente de 9 velocidades-- 6.5 - 6.8mm
Corrente de 10 velocidades- 5.9 - 6.2mm
Corrente de 11 velocidades- 5.5mm


Medidas entre links x entre as placas internas
Single speed - 1/2'' x 1/8''
BMX - 1/2'' x 3/32'' - 1/2'' x 1/8'' - 1/2'' x 3/16''
7-8 velocidades - 1/2'' x 3/32''
9-10-11 velocidades - 1/2'' x 11/128''

Ligadores rápidos
PowerLink para 6, 7 e 8 velocidades (pode ser utilizado várias vezes)
PowerLink para 9 velocidades (pode ser utilizado várias vezes)
PowerLock para 10 velocidades (só pode ser utilizado uma unica vez)



Complemento visual.



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Re: A corrente de transmissão

Mensagem  Mario JP em Qua Dez 03, 2014 9:06 am

Filipe, muito obrigado por estes artigos (começa a ser uma enciclopédia), bem escritos e muito esclarecedores. Agora que já está em plena velocidade, faço votos que a paciência não se esgote e venham mais cheers

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Re: A corrente de transmissão

Mensagem  Filipe Reis em Qui Dez 04, 2014 5:32 am

Caro Mário, obrigado pelas suas palavras, mas no entanto sinto que são demasiadamente excessivas. Muito longe de ser uma enciclopédia.

Gosto fundamentalmente de tudo que esteja relacionado com bicicletas. Gosto de participar em fóruns, gosto de partilhar as informações e experiências recolhidas com o intuito exclusivo de tornar os nossos companheiros ciclistas mais auto suficientes, relativamente à mecânica.

informações que por vezes são muito difíceis de encontrar na Net, e também por parte de alguns fabricantes e (alguns) profissionais da área que normalmente gostam, e continuam a manter as suas reservas.

Dou a minha (pequena) contribuição para que este fórum seja portanto, mais um ponto de referência aos actuais e futuros ciclistas.

Boas pedaladas.
FilipeReis

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Re: A corrente de transmissão

Mensagem  Filipe Reis em Sex Dez 05, 2014 2:43 pm

Caso seja necessário substituir ou reparar a corrente, e para quem não está ainda familiarizado com a aplicação do link, só é necessário o descravador como ferramenta para preparar a corrente conforme o exemplo da imagem.





ÓLEOS
Existem no mercado várias marcas de óleos para colocar na corrente.
Em termos de funcionalidade os óleos sintéticos biodegradáveis devem ser os eleitos por nós, pois são amigos do ambiente.
Normalmente estão disponíveis para duas condições atmosféricas.

- Para condições secas, DRY BIKE LUBE
- Para condições húmidas e molhadas, WET BIKE LUBE.

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Re: A corrente de transmissão

Mensagem  Filipe Reis em Seg Dez 29, 2014 8:57 am

Para finalizar

A maioria das correntes das bicicletas são fabricadas em liga de aço, sendo que alguns modelos são revestidos com níquel para uma maior resistência à oxidação.


Interpretação visual do medidor de corrente.





A título de curiosidade, este foi o primeiro modelo de bicicleta a utilizar a corrente.
Ano de 1874
.



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Corrente,,,

Mensagem  Filipe C Cardoso em Sex Jan 09, 2015 11:11 am

Bom artigo, com algumas.....

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Re: A corrente de transmissão

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